MORTALIDADE NAS PEQUENAS EMPRESAS

 

Prof. Dr. Antônio Lopes de Sá

 

 

No Brasil as pequenas e médias empresas são as que constituem a maioria no universo de empreendimentos, representando cerca de cinco milhões de entidades responsáveis por quase 60% dos empregos, segundo as pesquisas do SEBRAE.

Dada à informalidade, a falta de estatísticas defluentes da ausência de registros, é bem possível, sem exagerar, admitir que quase 75% dos empregos em nosso país dependem desses microorganismos referidos.

Muitas são, todavia, as dificuldades naturais que enfrentam tais organizações, lhes determinado expressiva mortalidade, quase sempre ocorrida precocemente.

Segundo ainda o SEBRAE, no passado ano de 2005, foi constatado que 49,4% das empresas menores não conseguem viver mais que dois anos, ressalvado apenas um Estado no País, o Paraná, em razão do apoio que recebem em relação a menor ônus com tributos e burocracia.

A grande mortalidade infantil tem sido, pois, como o enfocado, aquela das empresas.

Não é, pois, sem fundadas razões que a intelectualidade contábil de há muito se preocupa com o drama vivido pelas empresas de menor porte (como são exemplos os professores Alberto Ceccherelli, Silvio Vianelli e Alberto Riparbelli), desde o início da segunda metade do século XX passado, empreendendo esforços no sentido de analisar as razões principais dos desequilíbrios que levam à extinção das atividades.

Sendo a Contabilidade a ciência que tem por objeto estudar o comportamento patrimonial dos empreendimentos particulares, responsabilidade dela é conhecer como os referidos microorganismos vivem e, especialmente, quais as condições sob as quais podem conquistar a prosperidade e o crescimento.

Indagações empíricas realizadas há mais de meio século tão como as recentes, sinalizam quase sempre para as mesmas questões onde são destaques, como causas da mortalidade precoce: 1) má administração, 2) difícil presença no mercado, 3) excesso de ambição do Estado na arrecadação tributária, 4) pesados encargos trabalhistas e sociais, 5) falta de consultoria contábil gerencial.

Às referidas causas outras ainda se agregam (embora nem sempre em todos os casos), tais como as relativas a problemas aéticos entre sócios, diferenças familiares (boa parte das pequenas empresas são de famílias), crises econômicas etc.

Todavia, a má administração, é sempre a causa relevante, defluindo da falta de preparo dos empreendedores, pois, muitos destes quase sempre bem entendem da técnica de produção, mas, não possuem formação para a gestão (tais coisas são distintas) e os males já começam no próprio planejamento dos negócios.

Bons artesãos, bons vendedores, podem dar vida a empresas, mas, se só o que dispõe como cultura é a técnica, esta não lhes garantirá meios para empreender negócios.

O problema de mercado, também, relevante, quer em relação à motivação do cliente, qualidade e preço do produto, termina igualmente por ocorrer, como sério obstáculo adicional.

Quando falham os fatores referidos (qualidade, preço e motivação) há visível perda de mercado, implicando falta de clientela ou cessão de espaço à concorrência.

Pode agravar mais ainda o problema a má política econômica de um País, especialmente quando os impostos são exageradamente cobrados (no Brasil ultrapassa em muito 40%), os juros são os de agiotagem (os mais altos do mundo), não se investe o dinheiro público em obras de expressão e nem se possibilita facilidade aos pequenos empreendimentos participar das compras públicas.

A todo esse conjunto de erros se ainda se acrescenta uma retardada, abusiva e improdutiva burocracia fiscalista, paralelamente a uma negligência dos parlamentos em corrigir tais mazelas o quadro pior ainda fica (como ocorre no Brasil atualmente).

Quando os governos praticam a demagogia então os políticos apelam para práticas eleitoreiras e os efeitos catastróficos lesam as empresas menores, especialmente quanto a encargos mascarados como “sociais” e “trabalhistas”, com vista aos votos da massa; a verdadeira estabilidade social, só se consegue com trabalho e não com favores em migalhas como os demagogos praticam na cata de votos.

As pequenas empresas são vitimas em processos onde a economia é uma nau sem rumo.

Uma boa consultoria assistencial de ordem contábil poderia minorar efeitos gravosos e socorrer a gestão patrimonial, evitando muitos problemas e desequilíbrios, mas, em geral, está quase sempre fora da cogitação ou do poder de aquisição dos pequenos empresários.

Necessária, no caso, pois, para minorar tantos problemas, é uma atuação das entidades de classe patronal assistindo aos menores empresários, paralelamente a uma sincera mudança de mentalidade do mundo político estatal no sentido de que entenda que a prosperidade social depende daquela dos empreendimentos e que dentre estes os menores representam a maioria.

Qualquer modelo econômico é incompetente, lesando o interesse da maioria, prejudicando a Nação, se não tiver por objetivo ensejar maior volume de trabalho e incentivo nas pequenas empresas, se não respeitar e estimular os autônomos como agentes de progresso.

 

 

 Autor: Antônio Lopes de Sá
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