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O MERCADO CHINÊS E O BRASIL

Prof. Dr. Marcos Cintra

As ações comerciais da China têm criado expectativas ao redor do mundo por conta do peso econômico que o país assumiu nas duas últimas décadas na comunidade internacional e pela projeção de crescimento de seu PIB para os próximos anos. Enquanto economias como a norte-americana, européia e japonesa amargam uma recessão profunda, os chineses vão registrar vigorosa expansão econômica em 2009, devendo esse cenário se manter nos próximos anos.

Para se ter uma idéia do desempenho do comércio exterior chinês, em 1997 o país exportou US$ 24,5 bilhões (16º no ranking dos maiores exportadores) e em 2002 o valor já estava em US$ 325 bilhões (5º no ranking). Em apenas cinco anos a economia chinesa multiplicou por mais de 13 as suas vendas externas, enquanto que, no mesmo período, o total das exportações mundiais saltou de US$ 5,5 trilhões para US$ 6,3 trilhões. Nos seis primeiros meses de 2009 as vendas chinesas já somaram US$ 521,7 bilhões e o país chegou ao topo dos maiores exportadores do mundo, superando a Alemanha.

A situação não é diferente no que tange às importações. O país deve continuar crescendo na casa de 8% ao ano, como prevê o FMI para 2009, e com 1,3 bilhão de consumidores,  renda per capita com grande potencial de crescimento (ainda é de um terço da média mundial) e elevado volume de recursos para investimentos a tendência é que o país mantenha ou atinja o status de maior importador de produtos como metais, carnes, veículos e outros.

Os chineses se transformaram no motor da economia mundial. Mas, ainda há cerca de oitocentos milhões de pessoas, quatro vezes a população brasileira, que, por enquanto, não foram incorporados efetivamente à dinâmica do desenvolvimento advindo das atividades urbanas. Esse contingente vive em zonas rurais e sua migração para as cidades pressionarão o mercado de trabalho e o consumo de alimentos, bens duráveis, moradias, transportes, energia etc. A China terá que gerar milhões de empregos e alavancar a oferta de bens e, por isso, o país é visto pelos empreendedores ao redor do mundo como elemento estratégico para suas operações e o Brasil não pode ficar de fora dessa onda, pois tem formidável potencial para explorar o gigantesco mercado chinês.

Os chineses continuarão comprando e vendendo muito no mercado internacional. O Brasil já tem a China com seu principal parceiro comercial e deve focar naquela economia sua estratégia de expansão de negócios. Um passo importante foi o recente acordo que prevê a venda de cerca de quinhentas mil toneladas de carne de frango brasileira para os chineses.

A perspectiva de crescimento para a economia chinesa nos próximos anos cria oportunidades em todos os segmentos brasileiros. São economias complementares. O Brasil possui vantagens comparativas em setores como, por exemplo, agropecuária e mineração e a China vai se tornar o maior importador mundial de alimentos e matérias-primas em breve. Portanto, as empresas brasileiras devem adotar estratégias voltadas à exploração daquele mercado, uma vez que ele irá gerar ganhos econômicos aos seus participantes.

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Marcos Cintra é doutor em Economia pela Universidade Harvard (EUA), professor titular e vice-presidente da Fundação Getulio Vargas.

Internet: www.marcoscintra.org /E-mail: mcintra@marcoscintra.org

Twitter: http://twitter.com/marcoscintra